"A reação do presidente da República, do presidente do Senado, do presidente da Câmara, da presidente do Supremo, dos diferentes setores da sociedade civil e da imprensa demonstrou que nós já superamos os ciclos do atraso. Já não há mais espaço na vida brasileira para quarteladas, quebras da legalidade ou o descumprimento das regras do jogo", completou o ministro.
Já o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco, anunciou a retirada das grades que cercam o prédio do Legislativo. Ele também afirmou que os Poderes estão "vigilantes" contra ações de "traidores da pátria".
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), discursou como representante das unidades da federação. Ela afirmou que o ato desta segunda-feira (8) "reflete a união em torno do que é inegociável: a democracia". Para ela, o 8 de janeiro foi uma das "páginas mais infelizes" da história contemporânea do Brasil.
A governadora declarou que punir os responsáveis é um "ato pedagógico", já que "a impunidade concretiza o esquecimento". Fátima Bezerra disse que o momento atual é de "solidariedade" entre União, estados e municípios. Ela ainda lembrou que a Constituição determinar que os poderes sejam harmônicos.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também discursou no evento. Ele afirmou que a democracia demanda vigilância contínua contra novos ataques de ímpeto golpista.
"Os estilhaços das vidraças das sedes dos Poderes, os destroços a que foram reduzidos em poucos instantes obras de artes, ambientes e instrumentos de trabalho, além das imundices esparramadas nos centros simbólicos da vida institucional, não podem ser esquecidos”, disse Gonet.
Além deles, estavam no palco principal:
- o vice-presidente, Geraldo Alckmin
- o ex-presidente José Sarney
- a ex-presidente do STF e ministra aposentada da Corte Rosa Weber
- a primeira-dama, Janja Lula da Silva
- o vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
- a senadora Eliziane Gama (PSD-MA)
- Aline Sousa, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis
Obras danificadas e exposições
O ato em memória dos ataques incluiu ainda duas ações simbólicas para marcar a recuperação de dois itens dos acervos do STF e do Senado.
Em um primeiro momento, as autoridades inauguraram placa que indica a restauração de uma tapeçaria, criada pelo paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx e avaliada em R$ 4 milhões.
Arrancada da parede, urinada e rasgada pelos invasores, a peça foi uma das mais danificadas do Senado. O trabalho de restauro durou quase 300 dias e custou R$ 236,2 mil. A tapeçaria retornou à exposição, no Salão Negro do Congresso.
Na sequência, houve uma entrega simbólica do exemplar da Constituição Federal de 1988 roubado por vândalos na invasão ao STF. O item, que foi recuperado ainda em janeiro, ficava em exposição no Salão Branco da Corte.
Lista de governadores presentes
Veja abaixo a lista dos governadores presentes ao ato "Democracia Inabalada" realizado no Congresso:
- Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
- Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT)
- Rio Grande do Sul: Eduardo Leite (PSDB)
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Paraíba: João Azevêdo (PSB)
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSDB)
- Pará: Helder Barbalho (MDB)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT)
- Amapá: Clécio Luis (Solidariedade)
- Ceará: Elmano de Freitas (PT)
- Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
- Maranhão: Carlos Brandão (PSB)
- Distrito Federal: Celina Leão (PP, interina)
- Alagoas: Ronaldo Lessa (PDT, vice-governador)