Ave típica da Bahia e que estava extinta da natureza, ararinha-azul volta à Caatinga após 20 anos

Nos últimos dez anos, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e uma ONG alemã resgataram pouco mais de cem ararinhas que estavam nas mãos de criadores particulares em vários países.

Ave típica da Bahia e que estava extinta da natureza, ararinha-azul volta à Caatinga após 20 anos
Ararinha-azul foi vítima do tráfico de animais e da destruição do bioma da Caatinga — Foto: Reprodução

A ararinha-azul, espécie típica da Bahia e que estava extinta na natureza, voltou a voar livre pela Caatinga depois de mais de 20 anos.

A ararinha-azul desapareceu da Caatinga, mas não deixou de ser o símbolo da pequena Curaçá, no sertão da Bahia.

“Elas andavam passando muito lá na minha fazenda. Coisa mais linda do mundo quando elas passavam lá”, contou a funcionária pública Silvia Fonseca.

A última ararinha-azul Spix foi vista na natureza há 22 anos, na zona rural de Curaçá. Era um macho que andava em companhia de uma fêmea da espécie Maracanã.

A ararinha-azul foi vítima do tráfico de animais e da destruição do bioma da Caatinga. Nos últimos dez anos, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade e uma ONG alemã resgataram pouco mais de cem ararinhas que estavam nas mãos de criadores particulares em vários países.

Na Alemanha, o projeto conseguiu a reprodução da espécie em cativeiro, e hoje elas já são mais de duzentas. O desafio foi grande por causa do grau de parentesco entre as aves.

“Esse foi o primeiro salto que a gente precisou dar, mexer a variabilidade genética dessa população”, explicou o coordenador do Plano de Ação para Conservação da Ararinha-Azul, Eduardo Barbosa.

Em 2020, 52 foram trazidas da Alemanha para um criadouro construído pela ONG em Curaçá. Lá, elas começaram a aprender com as primas da espécie Maracanã a se alimentar sozinhas e a se defender de predadores.

Antes da soltura, cada ave foi identificada e recebeu um radiotransmissor para facilitar a localização. As primeiras aves que vão ganhar a liberdade já estão em outro recinto. O espaço é maior, exatamente para que elas possam fazer voos mais longos, se preparando para a soltura.

Não é possível se aproximar muito, para não estressar os animais. Quando chegar a hora, uma porta será aberta, e as ararinhas vão, enfim, poder bater asas na imensidão da Caatinga.

No sábado (11), às 6h, chegou o momento mais aguardado. O viveiro foi aberto para oito ararinhas. Cinco delas saíram, voaram ao redor e depois voltaram. O representante da ONG explica que, no começo, ela vão ficar indo e voltando até ganharem confiança.

As ararinhas vão viver em duas unidades de conservação criadas especialmente para elas. Os órgãos ambientais esperam contar com a colaboração dos moradores na proteção da espécie.

Dona Maria de Lourdes Oliveira vai ajudar. O pai já falecido dela doou 28 hectares para o refúgio das ararinhas.

“Aquela sensação de dever cumprido. E saber que demorou, mas que a gente conseguiu. E que ele não está mais aqui, mas saber que o sonho dele está sendo realizado”, comemorou Maria de Lourdes, que é agricultora.

Fonte: JN