Quem são as pessoas que estão no submarino que sumiu em passeio para ver destroços do Titanic

Há algumas facilidades: existe um ponto de referência para as buscas, que é o local onde estão os destroços do Titanic e onde o submersível afundou, e a embarcação é relativamente leve.

Quem são as pessoas que estão no submarino que sumiu em passeio para ver destroços do Titanic
Submarino que leva turistas para ver o Titanic — Foto: Divulgação/OceanGate Expeditions

Uma expedição turística para ver os destroços do Titanic a bordo de um submarino desapareceu no Oceano Atlântico no domingo (18). A embarcação tem capacidade para até cinco pessoas.

Até o momento, sabe-se a identidade dos seguintes passageiros:

Nargeolet, 77 anos, é ex-comandante da Marinha Francesa. Ele é considerado o principal especialista no naufrágio do Titanic. O francês também é diretor de pesquisa subaquática de uma empresa que detém os direitos sobre os destroços do Titanic.

Passeio para ver o Titanic

A embarcação que desapareceu é chamada Titan. Ela é classificada como um submersível, pois não é autônoma (ela depende de uma plataforma de apoio para ser implantada e retornar).

O submarino turístico é uma embarcação que permite aos passageiros conhecerem o mundo debaixo d'água sem precisarem ser mergulhadores ou passarem por treinamento especializado. Geralmente, são menores do que os submarinos militares.

OceanGate cobra US$ 250 mil (R$ 1,19 milhão) de cada passageiro por um lugar em sua expedição para ver os destroços do Titanic, que naufragou em 1912.

Na semana passada, a empresa começou a quinta "missão" aos destroços do Titanic, de acordo a página da empresa na internet. A viagem tinha previsão de durar oito dias e terminaria na próxima quinta-feira.

Para descer até o local dos destroços, que fica a uma profundidade de 3.800 metros no Oceano Atlântico, o submersível leva cerca de 2,5 horas.

No início de 2023, um repórter da CBS leu os termos que as pessoas devem assinar antes de embarcar. Entre outras coisas, o texto dizia que a viagem é feita em "um submersível experimental, que não foi aprovado nem certificado por nenhum órgão regulador e pode resultar em danos físicos, psicológicos, ou morte". Não há, entretanto, informações precisas sobre os termos assinados pelos passageiros do submersível que desapareceu.

As operações de resgates de submersíveis estão entre as mais complexas de uma marinha, afirma o capitão de Mar e Guerra Luiz Eduardo Cetrim Maciel, da Marinha do Brasil, e a busca pelo submarino turístico que desapareceu no dia 18 em uma expedição aos escombros do Titanic é especialmente difícil.

O capitão Cotrim citou os seguintes fatores que atrapalham as buscas:

  • Como a embarcação é pequena, a autonomia de ar é menor.
  • Como a embarcação é em águas muito profundas, a ação das correntes pode ser mais intensa.
  • Os sonares de geolocalização não funcionam bem em águas tão profundas.

Por outro lado, há fatores que ajudam, segundo o capitão.

  • Há um ponto de referência para as buscas, que é o local onde estão os destroços do Titanic e foi o ponto onde o submersível afundou.
  • Como o submersível é relativamente leve, pesa 10 toneladas, é mais fácil içá-lo para a superfície do que outras embarcações, como submarinos militares, que podem pesar mais de mil toneladas.

Falta de comunicação

A falha de comunicação de um submarino ou um submersível já significa que houve algum acidente com a embarcação, diz o capitão.

"A falta de comunicação de um submersível que vai a uma profundidade de cerca de 3.800 metros já é a informação de que aconteceu algo de errado", afirma.

Ele diz que enquanto houver oxigênio há esperança de ocorrer um resgate. "A questão é o controle da atmosfera, ou seja, quanto tempo dura o oxigênio e quanto tempo leva para o gás carbônico aumentar --à medida que o gás carbônico aumenta, diminui a capacidade dos tripulantes de tomar ação dentro do submarino, e isso é muito importante e relevante", afirma o capitão.

O resgate

A localização da embarcação é a primeira parte da operação. Depois de encontrar o submarino turístico, será preciso resgatá-lo. Será preciso trazer uma outra embarcação que tenha capacidade para fazer isso.

A facilidade, afirma o capitão, é que essa ação deve ser mais rápida porque o Titan é relativamente leva --são cerca de 10 toneladas; o submarino Tupi, da Marinha do Brasil, tem cerca de 1.400 toneladas.

Fonte: g1