Daniel Alves já deu 4 versões após acusação de estupro na Espanha; ele pode se tornar a 1ª celebridade condenada pela lei do 'só sim é sim'
Atleta é acusado de ter estuprado jovem em boate de Barcelona em 31 de dezembro de 2022 e está preso preventivamente há mais de 300 dias. Segundo a imprensa local, ele deve apresentar uma quinta no julgamento, que começou nesta segunda-feira (5).
O julgamento do jogador brasileiro Daniel Alves, acusado de ter estuprado uma jovem em uma boate de Barcelona em 30 de dezembro de 2022, começou nesta segunda-feira (5).
O atleta, que nega o crime e está há mais de 380 dias dias em prisão preventiva, foi à Audiência de Barcelona, a instância mais alta da Justiça local. Ao todo, devem ser ouvidas 28 testemunhas, além da denunciante e do próprio jogador. A previsão é que as sessões durem três dias.
A mulher que acusa Daniel Alves de estupro afirma que, na noite em que tudo aconteceu, estava com uma amiga e uma prima na área VIP de uma casa noturna e que já tinha dançado com o jogador e amigos dele. Depois disso, o atleta teria insistido para que ela o acompanhasse até um outro recinto.
A jovem alega que achava que, nesse segundo espaço, havia uma nova área VIP. Ao entrar, no entanto, notou que estava num banheiro pequeno, que só tinha um vaso e uma pia. Lá, teria acontecido o estupro.
Veja, abaixo, os principais pontos do caso e entenda o que diz a nova lei espanhola sobre o tema:
Desde que o caso veio a público, Daniel Alves deu quatro versões sobre o que ocorreu:
- No início de janeiro de 2023, em um vídeo enviado ao canal espanhol Antena 3 depois que o caso veio a público, o jogador negou ter ocorrido relação sexual e disse que sequer conhecia a denunciante. "Nunca vi essa senhora na vida", afirmou.
- Dias depois, em um primeiro depoimento à polícia, Daniel Alves declarou ter entrado no banheiro junto com a espanhola, mas negou ter havido qualquer relação entre os dois.
- Em 20 de janeiro, convocado a um segundo depoimento em uma delegacia de Barcelona, quando foi preso em flagrante, o jogador Alves alegou que a jovem praticou sexo oral nele, porém de forma consensual. O atleta mudou a versão ao ser confrontado pela polícia com imagens da boate.
- Em 17 de abril de 2023, já preso, Daniel Alves declarou à juíza responsável pelo caso que manteve relações sexuais consensuais com penetração (àquela altura, exames periciais haviam encontrado sêmen do jogador na espanhola). O brasileiro, que era casado com modelo espanhola Joanna Sanz quando ocorreu o episódio na boate, argumentou ter mentido, em um primeiro momento, para ocultar uma relação extraconjugal.
Segundo a imprensa espanhola, Daniel Alves deve apresentar, no julgamento, uma quinta versão. A expectativa é que ele repita que a relação foi consensual, acrescentanto que estava embriagado e, portanto, sem suas faculdades totalmente preservadas.
O jornalista Jesús González Albalat, do "Periódico de Catalunya" e do podcast "En Fuera de Juego" assistiu às imagens registradas naquela noite de 30 de dezembro de 2022. Ele afirma: "O Daniel Alves muda de versão a cada vez em que as provas o deixam encurralado. Sai uma prova nova, ele diz outra coisa" (leia mais).
Pelo cronograma inicial do julgamento, Daniel Alves falaria já nesta segunda. Contudo, ele pediu para que seu depoimento fosse adiado para esta quarta-feira (7), após todas as testemunhas terem sido ouvidas. O pedido foi acatado.
Essa foi a primeira vez em que o jogador apareceu publicamente desde que foi preso, em 20 de janeiro de 2023. No início da sessão, a advogada de Daniel Alves, Inés Guardiola, afirmou que o cliente se diz vítima de um "tribunal paralelo", feito pela opinião pública.
Daniel Alves pode se tornar a primeira celebridade a ser condenada por uma nova lei espanhola que determina punições mais severas para crimes contra mulheres.
Popularmente chamada de "solo sí es sí" ("só sim, é sim"), a legislação prevê que a relação não é considerada consensual se a mulher não expressar claramente que está de acordo. A norma foi criada por causa de um crime que chocou a Espanha em 2016, conhecido como "caso La Manada".
Na ocasião, uma jovem de 18 anos foi estuprada por cinco homens que se comunicavam por um grupo de WhatsApp chamado La Manada. Na época, a Justiça local considerou o caso apenas como abuso sexual, e não como estupro. Isso desencadeou protestos, e a nova lei entrou em vigor em outubro de 2022.
A Promotoria de Barcelona pede nove anos de prisão. Já a defesa da mulher que denunciou o estupro quer uma sentença maior, de 12 anos. Até a última atualização desta reportagem, não havia previsão de sentença, em caso de condenação, a ser decidida pela juíza Isabel Delgado Pérez.
Na Espanha, denúncias de estupro são investigadas sob a acusação geral de agressão sexual, e as condenações podem levar a penas de prisão de 4 a 15 anos.
O julgamento
A jovem que acusou Daniel Alves prestou depoimento nesta segunda — até o início da sessão, não havia confirmação de que ela participaria do julgamento. Acompanhada de psicólogos, ela falou aos juízes na mesma sala em que o brasileiro estava, mas os dois não tiveram contato visual.
A voz da mulher foi distorcida, e a imprensa não teve permissão para acompanhar o depoimento — desde o início do caso, a juíza responsável pelo julgamento proibiu a divulgação da identidade e de imagens da jovem. Até a última atualização desta reportagem, o tribunal não havia divulgado detalhes do teor até a última atualização desta reportagem.
Lucia Alves, mãe do jogador Alves, também participou do julgamento. Ela foi a primeira a chegar ao tribunal e é uma das 28 testemunhas convocadas para falar no caso.
Fonte: g1
