EUA: democrata vence na Geórgia e consolida maioria a Biden no Senado
Reeleição de Raphael Warnock no estado dos EUA garante 51 cadeiras ao partido a partir de janeiro, do total de 100. Maioria é decisiva
Com a vitória do senador democrata Raphael Warnock — reeleito pelo estado da Geórgia, nos Estados Unidos (EUA), nessa terça-feira (6/12), — o partido do presidente Joe Biden consolidou a suada maioria de 51 cadeiras no Senado norte-americano. O fortalecimento na Alta Casa tem impacto, uma vez que o chefe de Estado perdeu o controle da Câmara.
Warnock, que é pastor, venceu o ex-astro do futebol americano Herschel Walker, do Partido Republicano, em uma disputa estreita em segundo turno, válida para as eleições de meio de mandato.
Com o resultado, os democratas abocanharam 51 assentos, do total de 100 da Alta Casa. A nova composição, válida a partir de 3 de janeiro, representa uma cadeira a mais do que a legenda tem agora, considerando dois nomes independentes que sempre votam com a sigla.
A vitória mantém o equilíbrio no Congresso dos EUA. Os democratas já haviam assegurado o controle do Senado, enquanto os adversários levaram a melhor na Câmara.
“Esta noite os eleitores da Geórgia defenderam nossa democracia, rejeitaram o Ultra Magaismo (corrente extremista do trumpismo) e, mais importante: enviaram um bom homem de volta ao Senado. Um brinde a mais seis anos”, comemorou Biden no Twitter.
A vantagem republicana foi consolidada na Câmara com 221 vagas garantidas aos republicanos, ante as 213 do partido opositor. Todos os 435 assentos da Casa foram renovados nas eleições de meio de mandato este ano, e para alcançar a maior parcela das vagas era necessário eleger 218 deputados.
Eleições de meio de mandato
A disputa define a segunda metade do governo de Joe Biden e pode impactar o pleito presidencial de 2024.
O esperado era que uma grande onda “vermelha” tomasse o Congresso dos EUA. É comum que um presidente norte-americano seja eleito com maioria nas casas e perca a liderança nas eleições de meio de mandato — como ocorreu em todos os governos desde Bill Clinton: George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump.
A estimativa, no entanto, não se concretizou com a virulência esperada. Segundo o cientista político Márcio Coimbra, presidente do Conselho da Fundação da Liberdade Econômica, a movimentaçao “não só não chegou no Senado, como foi muito mais leve que o estimado na Câmara”.
“Com 51 senadores eleitos, os democratas têm o controle total do Senado e dão dois anos de tranquilidade para Biden aprovar as medidas que achar necessárias. A onda trumpista, que tomou o partido republicano, não se confirmou. Para renascer, os republicanos precisam se afastar de Trump”, avalia.
As midterms são consideradas um bom termômetro da avaliação popular do presidente no cargo. O cenário não é favorável para Biden, que tem 40% de aprovação, segundo o instituto Gallup —que também aponta que 79% dos americanos se dizem insatisfeitos com os rumos do país.
Fonte: Metrópoles
