Família de mulher morta por rojão tentou se proteger de fogos na orla: 'Achamos perigoso e seguimos andando mais pra frente'

Elisângela Tinem, de 38 anos, era da capital paulista e morreu na virada do ano em Praia Grande, onde passava Réveillon com a família. Primo de 41 anos conta que tentou salvar vítima e sofreu queimaduras pelo corpo. Eles ficaram perto de quiosque por receio dos fogos disparados na areia.

Família de mulher morta por rojão tentou se proteger de fogos na orla: 'Achamos perigoso e seguimos andando mais pra frente'
Alexander com a prima Elisângela Tinem — Foto: Arquivo Pessoal

A família de Elisângela Tinem, moradora de São Paulo que morreu após um rojão ficar preso no corpo dela e explodir durante a celebração da virada do ano, na Praia Grande, litoral de São Paulo, tentou se proteger de fogos de artifício disparados na orla momentos antes do acidente, segundo o primo da vítima informou ao g1 nesta terça-feira (3).

Elisângela tinha 38 anos, trabalhava como analista na capital paulista e deixou dois filhos, de 18 e 13 anos. Ela foi velada e sepultada nesta segunda-feira (2) no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte de São Paulo.

"Estávamos em casa e decidimos ver a queima de fogos oficial em alguma praia. Perguntamos a um policial qual era a praia mais próxima que teria queima de fogos oficial. Ele nos disse e, então, seguimos andando pela orla uns 2 ou 3 km até chegar ao local. Paramos um pouco antes do quiosque, mas percebemos que tinham algumas pessoas soltando fogos e foguetes na areia. Achamos perigoso e seguimos andando mais pra frente", relatou Alexander Gonçalves, de 41 anos.

"Decidimos parar de frente ao quiosque, pois estava mais vazio. Ficamos no canto próximo ali tirando fotos, conversando e brincando. Quando deu meia-noite, a família comemorou, todos se cumprimentaram e desejaram feliz Ano Novo".

Alexander conta que estavam em 11 pessoas da família: Elisângela, os dois filhos dela, a mãe dela, padrasto, irmãs, namorados das irmãs e primos. Todos saíram da capital paulista para ficar no litoral de SP entre os dias 29 de dezembro e 4 de janeiro.

"Foi planejada [ida até Praia Grande]. A casa foi alugada com bastante antecedência. Toda a família chegou na quinta, dia 19 de dezembro, e nós chegamos na sexta. Estamos arrasados com tudo isso".

''Explosão muito forte'

Alexander relata que estava ao lado de Elisângela durante a virada do ano, quando ela começou a registrar a queima de fogos oficial com o celular.

"Ela me deu um beijo e um abraço, desejamos felicidades e foi quando ela pegou o celular e começou a filmar os fogos oficias da prefeitura que estavam no sentido centro. Ela ficou a minha direita. Com o celular em mãos, ela começou a virar para filmar a parte de trás, pois tinha outro ponto próximo a um condomínio bonito".

Em seguida, ela foi atingida pelo rojão, que ficou preso à roupa. Alexander conta que tentou retirar o artefato, mas ele explodiu antes que pudesse ajudá-la.

"Vi que ela virou, mas continuei olhando para frente. Foi quando ouvi ela gritando. Nesse instante olhei para ela e vi o artefato preso. Corri em direção a ela, mais ou menos dois passos, para tentar bater no foguete para tirar".

"Mas quando estiquei a mão para tentar bater houve uma explosão muito forte que nos jogou para trás. Fiquei desnorteado por alguns segundos. Quando recobrei os sentidos, eu a procurei, olhei para o lado e ela estava caída".

Elisângela não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Alexander sofreu queimaduras na mão, braço, peito e pernas.

"A família toda viu tudo que aconteceu. Estamos muito abalados. Eu não sei nem dizer o que estou sentindo. É difícil lembrar", diz o primo.

Ainda conforme o primo, ninguém da família conseguiu identificar de onde veio o rojão. "Eu disse aos policiais que não consigo identificar, mas pelo rastro da fumaça e a direção, foi de um pessoal que estava a uns 5 a 7 metros atrás da gente".

Segundo a SSP, a ocorrência foi registrada como homicídio e lesão corporal culposa na Central de Polícia Judiciária de Praia Grande, e o caso foi encaminhado ao 1°Distrito Policial. O responsável pelo rojão ainda não foi identificado.

Batalhadora e guerreira

Para a família, Elisângela era uma pessoa alegre, divertida e tinha a vida dedicada aos filhos.

"Era uma mulher linda, batalhadora, guerreira. Trabalhava e criava os dois filhos sozinha. Divertida, alegre, sua vida era dedicada a criar e proteger seus filhos. Fazia tudo pensando nos meninos", diz o primo.

Nesta segunda-feira (2), parentes e amigos de Elisângela prestaram homenagens nas redes sociais.

"Meu Deus, eu não estou acreditando. Meus sentimentos a todos da família. Que Deus possa confortar o coração de vocês nesse momento tão difícil. Estarei orando pela família", escreveu uma amiga.

"Que tragédia! Que Deus conforte o coração de toda família e dê a ela o descanso eterno", publicou outro perfil.

Fonte: g1