Hamas afirma que ataque aéreo israelense a Gaza matou centenas de pessoas em hospital; Israel nega autoria e acusa Jihad Islâmica

Feridos foram levados para outro hospital de Gaza. Mas, com o local lotado, pacientes foram atendidos no chão. A explosão gerou uma onda mundial de repúdio.

Hamas afirma que ataque aéreo israelense a Gaza matou centenas de pessoas em hospital; Israel nega autoria e acusa Jihad Islâmica
Palestinos feridos aguardam tratamento no hospital al-Shifa, na cidade de Gaza, centro da Faixa de Gaza, nesta terça-feira — Foto: AP Photo/Abed Khaled

O ministro da Saúde do Hamas acusou, nesta terça-feira (17), Israel de atacar um hospital e de provocar centenas de mortes. As Forças Armadas de Israel negaram responsabilidade e afirmaram que a explosão foi resultado da falha do lançamento de um foguete do grupo terrorista Jihad Islâmica.

O Hospital Batista Al-Ahli foi atingido no início da noite. Ele fica na Cidade de Gaza. Na semana passada, Israel tinha mandado aquela região ser esvaziada. O hospital se tornou abrigo de centenas de pessoas que não tiveram como sair.

Socorristas corriam para retirar feridos dos escombros. Os primeiros relatos do Ministério da Saúde do Hamas falam em 500 vítimas. Feridos foram levados para outro hospital de Gaza em ambulâncias, em carros particulares. Mas, com o hospital lotado, pacientes foram atendidos no chão.

A Organização Mundial da Saúde pediu a proteção imediata dos civis e dos serviços médicos. O diretor-geral Tedros Adhanom ressaltou que o hospital também servia de abrigo para civis.

Logo depois da explosão, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel afirmou que as autoridades ainda estavam investigando as causas e que o hospital não estava na lista de alvos militares israelenses. Em uma referência ao grupo Hamas, ele pediu cautela sobre o que chamou de “relatos não-verificados que partiram de uma organização terrorista”.

O bombardeio aconteceu horas antes de o presidente americano embarcar para Israel. Joe Biden também pretendia se encontrar com líderes árabes - da Autoridade Palestina, do Egito e da Jordânia -, mas o encontro, que seria na quarta-feira (18), foi cancelado.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, decretou luto oficial de três dias.

A explosão no hospital gerou uma onda mundial de repúdio. Na Cisjordânia, um protesto tomou a maior praça de Ramallah, sede da Autoridade Palestina. Houve confronto entre manifestantes e forças de segurança.

No Egito, que faz fronteira com Israel e Gaza, o Ministério das Relações Exteriores declarou que a comunidade internacional precisa agir. O Rei Abdullah, da Jordânia, falou em “massacre e crime de guerra” e afirmou que o mundo deveria proteger o povo palestino e trabalhar para acabar com a guerra.

O governo do Catar também condenou o ataque ao hospital. A Arábia Saudita, que se aproximou de Israel há três anos, qualificou a ação como um crime odioso. Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou que a destruição do hospital mostrou como os ataques israelenses são “desprovidos de valores humanos básicos”. O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse que “não é aceitável atacar um hospital”.

Horas depois de ter afirmado que estava investigando o caso, o governo israelense negou responsabilidade pelo ataque e acusou a organização Jihad Islâmica. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a inteligência militar israelense indica que o hospital foi atingido por foguete do grupo terrorista em uma falha de lançamento. Uma bateria de foguetes era lançada de Gaza na direção de Israel, quando o hospital foi atingido.

A Jihad Islâmica está atuando junto com o Hamas, mas o grupo terrorista negou que tenha realizado o ataque.

Outros bombardeios atingiram Khan Younis, para onde foram muitos moradores que tiveram que deixar o norte. Faltam água, comida e eletricidade.

No campo de refugiado de al-Maghazi, na zona central de Gaza, um bombardeio atingiu uma escola da ONU; ao menos seis pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. A agência da ONU para os refugiados na Palestina condenou o ataque e disse que a escola servia de abrigo para 4 mil pessoas.

As Forças de Defesa de Israel afirmam ter eliminado um dos principais comandantes do Hamas, e também bombardearam a casa da família do chefe do braço político do grupo, Ismail Haniyeh.

Em uma entrevista coletiva pela internet, um porta-voz das Forças de Defesa de Israel disse que o foguete que atingiu o hospital, pela forma como explodiu, não poderia fazer parte dos arsenais de Israel, e reiterou também que, no momento do ataque, não havia nenhuma operação militar israelense em curso com alvos naquela região.

As Forças Israelenses divulgaram imagens em que um ponto de luz - que seria um foguete da Jihad Islâmica - perde altitude repentinamente. Segundo Israel, o foguete falha, cai e explode às 6h59, hora local. Ainda segundo as Forças Israelenses, foi no mesmo momento em que o hospital era atingido.

Fonte: Jornal Nacional