Ministro das Relações Exteriores lamenta veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança

Ministro das Relações Exteriores lamenta veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança
Ministro das Relações Exteriores lamenta veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também lamentou o veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança da ONU sobre a guerra entre Israel e Hamas.

“Ficou clara uma divisão de opiniões. Mas acho que do nosso ponto de vista, da nossa presidência e como o governo brasileiro, fizemos todo o esforço possível para que se cessasse as hostilidades e que se parasse com os sacrifícios humanos. A nossa preocupação foi sempre humanitária nesse momento. Enfim, cada país terá tido a sua inspiração própria”, diz Mauro Vieira.

Em nota, o Itamaraty afirmou que “lamenta que, mais uma vez, o uso do veto tenha impedido o principal órgão para a manutenção da paz e da segurança internacional de agir diante da catastrófica crise humanitária”; que "o Brasil considera urgente que a comunidade internacional estabeleça um cessar-fogo e retome o processo de paz"; e que “o Brasil seguirá buscando construir acordos que aliviem a dramática situação humanitária e contribuam para a realização da solução de dois Estados, com um estado palestino economicamente viável, convivendo em paz e segurança com Israel, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas”.

O governo também afirmou que não há previsão para a retirada dos 26 brasileiros e parentes palestinos que estão na Faixa de Gaza.

“Não há uma perspectiva. Eu já falei duas vezes com o ministro do Egito pedindo que, inclusive, não sendo tão numeroso os brasileiros que estão lá, que seja feita da forma mais rápida no momento em que for aberta a passagem para todos. Depende dos dois lados, tanto de Israel e também de Gaza, das autoridades em Gaza, como do lado do Egito”, explica o ministro das Relações Exteriores.

O veto americano à resolução apresentada pelo Brasil no Conselho de Segurança da ONU

O Brasil conseguiu, nesta quarta-feira (18), 12 votos no Conselho de Segurança da ONU, mas os Estados Unidos vetaram a proposta brasileira que pedia, entre outros pontos, a criação de um corredor de ajuda humanitária para Gaza.

Foram 12 votos a favor, além do Brasil: França, Malta, Japão, Gana, Gabão, Suíça, Moçambique, Equador, China, Albânia e Emirados Árabes. Duas abstenções - do Reino Unido e da Rússia - um único contra: dos Estados Unidos. Os cinco integrantes permanentes do conselho têm poder de veto, entre eles, os americanos.

Depois do resultado, o embaixador do Brasil na ONU, Sergio Danese, leu um documento. Disse que fez todo o esforço para acomodar posições diferentes - e até opostas - e que o foco era a situação humanitária crítica na região, e afirmou:

“Novamente, o silêncio e a inação prevaleceram”.

A embaixadora americana, Linda Thomas-Greenfield, disse que os Estados Unidos estavam decepcionados porque a resolução não mencionava claramente o direito de Israel de se defender. Afirmou que o país aposta na diplomacia, que o presidente Joe Biden está em Israel para assegurar a libertação dos reféns, evitar que o conflito se espalhe e reforçar a necessidade de proteger os civis.

A proposta apresentada pelo Brasil defendeu pontos como a libertação imediata e incondicional dos reféns israelenses, a proteção de civis e da infraestrutura - como eletricidade, água, combustível, comida e medicamentos -, a criação de um corredor humanitário, a saída segura de civis e proteção de pessoal de assistência humanitária, e mais: condenava todas as formas de violência contra civis, incluindo os atos terroristas do Hamas. Mas não citava o direito de Israel se defender, como queriam os americanos.

A China elogiou a proposta. Disse que o projeto brasileiro reflete o apelo comum da comunidade internacional e poderia representar os primeiros passos do conselho para estabelecer um cessar-fogo.

A França também fez elogios e agradeceu o Brasil pela iniciativa e seu papel de coordenação.

Fonte: g1