MP pede que Polícia Federal investigue diretor da PRF por blitz nas eleições e omissão em protestos nas rodovias

Órgão diz que, caso crimes sejam comprovados, Silvinei Vasques deve responder por prevaricação.

MP pede que Polícia Federal investigue diretor da PRF por blitz nas eleições e omissão em protestos nas rodovias
Apoiadores de Jair Bolsonaro em protesto na rodovia BR-251. — Foto: Diego Varas/ Reuters

O Ministério Público Federal (MPF) pediu, nesta quarta-feira (2), que a Polícia Federal (PF) investigue possíveis crimes cometidos pelo diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques. Segundo ofício da Procuradoria da República no Distrito Federal, o inquérito deve apurar blitz realizadas pela corporação durante o segundo turno das eleições e omissão em relação aos bloqueios em rodovias (veja mais abaixo).

O MPF pediu que a Polícia Federal investigue se a fiscalização de veículos, feita principalmente no Nordeste durante o segundo turno das eleições, respeitou a legislação e se as ações não "constituíram ofensa ao livre exercício do direito de voto". Em caso positivo, a ação, segundo o Ministério Público Federal, pode caracterizar crimes de prevaricação e violência política.

"É que, conforme amplamente divulgado na imprensa, as blitze praticadas pela polícia não atenderam à ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e teriam sido executadas sob orientação de ofício expedido pelo diretor-geral da PRF", diz o documento.

Sobre o bloqueio nas rodovias brasileiras, o MPF diz que, se comprovada omissão do diretor da PRF, o caso pode ser considerado prevaricação. Além disso Silvinei Vasques  que declarou apoio a Bolsonaro na eleição – pode responder por "crimes praticados por invasores de rodovias".

A prevaricação está configurada quando o funcionário público retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou age contra regra expressa em lei, "para satisfazer interesse ou sentimento pessoal". A pena é de detenção de três meses a um ano, e multa.

Rodovias bloqueadas

Grupos contrários ao resultado das eleições ocupam rodovias em diversas regiões do Brasil desde domingo (30). Às 14h30 desta quarta-feira (2), ainda havia 150 bloqueios, segundo levantamento da PRF.

A Polícia Rodoviária Federal afirma que desfez 601 manifestações. Na segunda-feira (31), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a corporação e as polícias militares estaduais tomassem as medidas necessárias para desobstruir as vias.

Nesta terça-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou as ocupações nas rodovias federais. A declaração foi feita durante seu primeiro pronunciamento após a derrota nas eleições presidenciais, no domingo.

"As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir", disse Bolsonaro.

Abordagens nas rodovias

No dia 30 de outubro, segundo turno das eleições, a PRF fez mais que o dobro de abordagens a ônibus, em comparação ao 1° turno. Um documento interno da Polícia Rodoviária Federal, ao qual o g1 teve acesso, aponta que a corporação fez 619 abordagens a ônibus até as 17h do domingo, horário em que se encerrou a votação em todo o país.

O total é 108% maior do que as abordagens a ônibus realizadas no dia 2 de outubro, data do 1º turno. Nesse dia, foram 297 ações.

A Polícia Rodoviária Federal descumpriu ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No sábado (29), o ministro Alexandre de Moraes proibiu que a PRF realizasse qualquer operação relacionada ao transporte público de eleitores no domingo, para não atrapalhar a votação.

Apesar da ação da PRF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou que "não houve prejuízo aos eleitores". Por conta disso, a possibilidade de estender o horário de votação foi descartada.

Fonte: g1/ Distrito Federal