MPE pede à PF que investigue possível crime eleitoral praticado por Frigorífico Goiás após tumulto por 'picanha mito'
Vídeo mostra uma confusão na porta da empresa após o anúncio da venda de picanha por R$ 22 o quilo. Uma mulher morreu depois de passar mal durante o tumulto.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Polícia Federal (PF) a instauração de um inquérito para apurar um possível crime praticado pelos gestores do Frigorífico Goiás, que causaram um tumulto com uma promoção chamada "picanha mito". Uma mulher morreu após passar mal no local. Um vídeo mostra a confusão (veja acima).
O pedido do MPE foi feito na segunda-feira (3). Já o tumulto aconteceu no domingo (2), dia do primeiro turno da Eleição 2022, quando o frigorífico anunciou uma promoção nas redes sociais de que o quilo da picanha seria vendido a R$ 22 para quem estivesse usando a camiseta do Brasil. O valor original era R$ 129,99.
Ao g1, a assessoria da PF disse que recebeu a requisição, mas que ainda não tem a informação da instauração ou não de inquérito policial.
Uma funcionária do Frigorífico Goiás disse por telefone, na manhã desta terça-feira, que a empresa não vai se manifestar sobre o caso.
A publicidade, divulgada pelo frigorífico, usava a imagem do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). Com isso, o MPE entendeu que a empresa cometeu crime ao: fazer propaganda eleitoral análoga à de boca de urna para reunir eleitores; divulgar propaganda de partido político ou de seu candidato; e ao publicar os conteúdos na internet no dia das eleições.
O autor da requisição é o procurador regional Eleitoral auxiliar José Ricardo Teixeira Alves. Ele disse que, em uma primeira análise, foi possível perceber a possível configuração de crimes previstos no Código Eleitoral.
No dia das eleições, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), chegou a suspender a venda da "picanha mito" e a pedir a remoção da divulgação nas redes sociais, sob pena de multa de R$ 10 mil por hora de descumprimento.
Mulher morreu após tumulto
A família da mulher, que morreu após passar mal durante a confusão na porta do frigorífico, registrou um boletim de ocorrências no domingo (2). O caso foi registrado inicialmente como morte acidental.
O marido da vítima é bombeiro aposentado e disse que ela já tinha uma doença preexistente e que foram ao frigorífico e que houve uma aglomeração na porta. Com isso, a mulher acabou sendo espremida e decidiu esperar pelo marido no carro.
Quando o homem voltou, percebeu que a perna da esposa estava muito inchada e ela reclamava muito de dor. O casal, então, voltou para casa. O marido contou ainda que saiu para votar, mas a esposa ligou dizendo que seguia com muitas dores. Ele voltou e a levou a um hospital para receber os primeiros atendimentos.
Os médicos, então, a transferiram para uma unidade especializada em angiologia, pois o problema era vascular. Porém, a mulher não resistiu e morreu devido a uma hemorragia.
O irmão da vítima disse que a mulher tinha ido aproveitar a promoção da "picanha mito" para comprar carnes a fim de comemorar o aniversário de 71 anos da mãe.
"Muito triste. Inclusive, a carne era para celebrar o aniversário da nossa mãezinha", desabafou o irmão, que não quis se identificar.
