Operação cumpre mais de 10 mandados de prisão, apreende mais de 80 veículos e bloqueia R$ 65 milhões de suspeitos de desvio de cargas
Mandados foram cumpridos em Goiás e Espírito Santo. A polícia acredita que há envolvidos em pelo menos mais dois estados.
Uma operação da Polícia Civil (PC) cumpriu nesta quinta-feira (3) mais de 24 mandados de prisão, nove delas em Goiás, apreendeu 82 veículos e bloqueou R$ 65 milhões de suspeitos de desviar carga para revender mercadorias. As informações são da PC de Goiás que prendeu os suspeitos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Trindade, Palmeiras de Goiás e Gouvelândia.
Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela polícia e, até a última atualização da matéria, o g1 não conseguiu contato com as defesas dos envolvidos.
A delegada Alessandra Alvarenga, da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) contou ao g1 que o grupo agia fazendo simulações de roubo de caminhão e depois notificava as seguradoras. Segundo ela, o grupo combinava com os motoristas para participarem do esquema. A carga era levada para depósitos e depois vendida.
"Observamos que estavam envolvidos no desvio de cargas, que, na verdade, eram simulações de roubo. O motorista simulava o roubo da carga. Posteriormente, seria instaurada uma sindicância, como se o motorista tivesse sido vítima de assalto à mão armada", contou.
Alessandra disse que os suspeitos do esquema não tinham um tipo de carga específico "embora em um determinado período tenham priorizado o desvio de combustíveis e agrotóxicos", disse.
Ainda de acordo com a delegada, as investigações apontaram que um dos líderes da organização chegou a transferir um avião que era usado no transporte de drogas para um laranja. Ele já foi preso em outras duas grandes operações sobre tráfico de drogas, afirmou.
Segundo a investigação, o esquema foi descoberto depois que a Decar verificou uma carga apreendida que havia sido recebida por um depositário. A polícia realizou na época uma busca e apreensão nos galpões onde esse depositário armazenava as cargas desviadas e na residência dele.
"Nesse galpão nós encontramos algumas provas e três cargas que teriam sido tidas como roubadas, que na verdade estava lá com ele pra ser vendida, foi só extraviada. Aí, com esse começo nós apreendemos alguns materiais na casa e começamos então a investigação. Chegamos no topo da organização criminosa", explicou a delegada Alessandra sobre o início da investigação.
A delegada explicou que o material apreendido inclui dinheiro, celulares, máquinas de cartão e documentos. Segundo ela, tudo será analisado porque o grupo é suspeito de praticar lavagem de dinheiro em larga escala. As investigações apontam para suspeitos em pelo menos mais dois estados.
"Minas Gerais e São Paulo já são pontos certos, e as investigações estão em andamento para apurar a participação de outros envolvidos", contou a delegada.
Fonte: g1
