Otan reafirma intenção de ter a Ucrânia como membro, mas só não diz quando

Entenda os compromissos oferecidos pela aliança atlântica ao país que irritaram a Rússia

Otan reafirma intenção de ter a Ucrânia como membro, mas só não diz quando
Da esquerda para a direita, o presidente francês, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante cúpula da Otan na Lituânia, em 12 de julho de 2023. — Foto: Kacper Pempel/ Reuters

Um dia após ter chamado de absurda e sem precedentes a ausência de um cronograma claro da Otan para a adesão da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, suavizou as palavras: “Posso confirmar que os resultados da reunião de cúpula foram bons. Mas, se houvesse um convite, teriam sido ótimos”, resumiu o presidente ucraniano, ao lado do secretário-geral da aliança atlântica, Jens Stoltenberg.

Na reunião, em Vilnius, na Lituânia, os 31 membros concordaram que o futuro da Ucrânia é na Otan, mas deixaram em aberto o momento em que a adesão será efetivada.

Segundo o secretário-geral, a oferta se dará “quando os aliados concordarem que haja condições para isso”. Ou seja, não se dará no meio de uma guerra. Primeiro, considerou ele, é preciso assegurar a vitória contra a Rússia.


“Hoje nos encontramos como iguais. Estou ansioso pelo dia em que nos encontrarmos como aliados”, ponderou Stoltenberg.

Na véspera, Zelensky foi duro e mostrou dúvidas sobre as intenções da Otan.

“Palavras vagas sobre 'condições' são adicionadas mesmo para convidar a Ucrânia. Parece que não há disposição nem para convidar a Ucrânia para a OTAN nem para torná-la membro da aliança”, escreveu o presidente.
A oferta ainda é vaga e reavivou a memória da reunião de cúpula da Otan há 15 anos, em Bucareste, quando a aliança acenou com a adesão de Ucrânia e Geórgia, na presença do presidente russo, Vladimir Putin.

Pouco tempo depois, a Rússia invadiu duas regiões da Geórgia – Ossétia do Sul e Abkhazia – e, em 2014, anexou ilegalmente a Crimeia, na Ucrânia, e apoiou a insurgência separatista na região de Donbass.

Os líderes da aliança ponderam que a diferença é que agora a Otan concorda em isentar a Ucrânia de uma das duas etapas do processo de adesão. Assim como ocorreu com Finlândia e Suécia, o país não precisará passar pelo Plano de Ação de Adesão, em que os candidatos precisam atender a uma série de requisitos, que tornam moroso o processo de ingresso.

Outra novidade é que a Ucrânia passará a integrar um novo conselho da Otan, criado especialmente para o país, e que já começou a funcionar nesta reunião de cúpula. O objetivo é aumentar suas defesas contra a Rússia e impedir futuras agressões.

O G7 deve anunciar também, nesta quarta-feira, mais um pacote de ajuda ao país.

Embora ainda falte um cronograma concreto para o ingresso na Otan, estas garantias de segurança do Ocidente à Ucrânia foram suficientes para irritar o Kremlin.

Conforme reagiu o porta-voz Dmitry Peskov, com a habitual retórica ameaçadora, trata-se de um erro perigoso que afetaria a segurança da Rússia e exporia a Europa a riscos maiores nos próximos anos.

Fonte: g1