Seleção Brasileira terá adversários difíceis nos compromissos de março de 2025
Dorival privilegia o setor ofensivo em sua convocação e, agora, tem o desafio de não desequilibrar taticamente a equipe diante de Colômbia e Argentina
Os próximos compromissos da Seleção Brasileira de Futebol Masculino serão contra as Seleções da Colômbia e da Argentina, que darão continuidade ao processo classificatório das Eliminatórias da Copa 2026 - América do Sul. Ter bons resultados nestes confrontos é imprescindível para assegurar a classificação, uma vez que faltam apenas seis jogos para a definição dos países que participarão da Copa do Mundo de 2026, sem passarem pela repescagem.
Relembrando que o Brasil ocupa a quinta colocação com 18 pontos. A Colômbia está na quarta posição, com 19 pontos, e a Argentina lidera as Eliminatórias da Copa - América do Sul , somando 25 pontos. Ambas vêm apresentando bom futebol, o que aumenta as chances de estarem entre as seis seleções classificadas e podem complicar ainda mais a posição do Brasil na tabela, como também, colocar em risco a continuidade do trabalho de Dorival Junior.
Tanto Colômbia, quanto Argentina costumam assumir o protagonismo tático das partidas e, habitualmente, não alteram seu comportamento diante de adversários do mesmo poderio técnico. Além disso, tendem a manter o mesmo desempenho, seja como mandante ou visitante.
Geralmente, a estratégia mais comum diante de equipes que dominam o adversário por meio da qualidade do meio-campo e da troca de passes consiste em congestionar essa área, utilizando forte marcação para anular os vértices criativos. Assim, talvez a Seleção Brasileira seja forçada a adotar estilo de jogo mais conservador nas duas partidas, a fim de diminuir a eficiência do sistema tático adversário.
A questão é que, para ser eficaz nesta estratégia, é fundamental a utilização de volantes essencialmente marcadores, característica que Dorival Júnior não priorizou na última convocação. É compreensível que o treinador aposte na versatilidade de nossos volantes para assumir esse papel mais defensivo, porém, atualmente, não exercem essencialmente a função de “volantes pegadores” em seus clubes.
Bruno Guimarães e Joelinton até cumprem essa tarefa no Newcastle, assim como Gerson, no Flamengo, mas também exercem outros papéis, pois no futebol moderno, a função de “cão de guarda” foi praticamente extinta. André ocupava essa posição quando atuava no Fluminense, mas, hoje, no Wolverhampton, é mais um meio-campista criativo.
No entanto, como existem dois momentos no futebol - com e sem a bola -, esses atletas são altamente habilitados para assumir papel mais ofensivo ou mais defensivo, dependendo das circunstâncias do jogo. Porém, se os movimentos não estiverem bem coordenados, nossa Seleção poderá perder a eficiência de marcação, o que será danoso contra essas duas potências do futebol sul-americano.
Outro ponto crucial é a convocação de laterais, especialmente os que atuam pela esquerda, uma vez que apenas Guilherme Arana e Danilo têm características para exercer essa função. Ainda assim, Arana, no Atlético-MG, atua mais como ala ofensivo, o que pode conflitar com a função de Vini Jr. Por outro lado, Danilo já jogou como lateral esquerdo na Juventus, da Itália, mas, atualmente, exerce a função de zagueiro no Flamengo.
A função de organizar a equipe brasileira no meio-campo provavelmente caberá a Neymar, que já está desempenhando esse papel no Santos e estará desobrigado de exercer qualquer função defensiva.
Infelizmente, não vejo espaço para Estêvão ser titular, pois, para isso, o treinador teria que abdicar de Raphinha ou de Rodrygo, que já tem seus lugares praticamente garantidos, considerando o desempenho em jogos anteriores e o rendimento que apresentam em seus clubes.
A grande questão é: qual será a configuração do meio-campo e quais jogadores irão executar funções mais defensivas?
Não há dúvidas de que, na lista de convocados, estão os melhores jogadores brasileiros que atuam no futebol mundial, com característica de ataque. No entanto, levando-se em consideração o potencial técnico e tático das Seleções adversárias, o grande desafio de Dorival Júnior, será encontrar o equilíbrio defensivo para a Seleção Canarinho.
Definitivamente, ser técnico da Seleção Brasileira não é nada fácil, pois qualquer decisão equivocada poderá causar consequências fatais para o coletivo da equipe.
Fonte: ge
