Taxa de desemprego no Brasil cai para 5,6% em 2025, o menor nível da série registrada pelo IBGE

Especialistas afirmam que, mesmo fortalecido, o mercado de trabalho ainda enfrenta um grande desafio: a informalidade.

Jennifer de Souza trabalha há quatro meses como recepcionista em uma clínica de estética no Rio.

"É uma realização trabalhar com carteira assinada. Consegui, agora o nosso plano é sair do aluguel”, conta.

A rede de clínicas dobrou de tamanho em 2025, o que se refletiu no aumento das contratações.

"Isso também impulsionado, obviamente, pelo mercado de saúde, beleza e bem-estar. Então, a gente dobrou o número de funcionários”, conta o empresário André Rautt.

O setor de serviços - que inclui atividades como comércios, bares e restaurantes, saúde, educação - foi o que mais contratou em 2025, ajudando o país a terminar 2025 com uma taxa média de desemprego de 5,6%. É o menor índice desde 2012, quando começou a série histórica do IBGE. Em 2025, o Brasil teve 6,2 milhões de brasileiros em busca de uma vaga, 1 milhão a menos do que em 2024.

"O que a gente vê é que o mercado de trabalho está realmente muito aquecido. A gente vem tendo crescimentos econômicos já há alguns anos. Então, todo esse cenário favorável da economia acaba rebatendo também no mercado de trabalho. Especialmente quando a gente olha para 2025, o primeiro semestre foi de uma economia mais forte, e isso acaba refletindo no mercado de trabalho”, afirma Rodolpho Tobler, economista FGV IBRE.

Em 2025, a população ocupada, que abrange tanto empregos formais quanto o mercado informal, foi recorde: 103 milhões de pessoas. A renda média mensal dos trabalhadores cresceu 5,7%, para R$ 3.560 – maior valor da série histórica. O número de empregados do setor privado com carteira assinada avançou 2,8%, enquanto o total de trabalhadores informais recuou 0,8% em 2025.

Mas, segundo economistas, há sinais de desaceleração na oferta de vagas com carteira assinada. Na quinta-feira (29), o Ministério do Trabalho divulgou os números do Caged, que monitora apenas o mercado formal e usa metodologia diferente do IBGE. Em 2025, a abertura dessas vagas foi a menor dos últimos cinco anos.

O economista Rodolpho Tobler diz que o contingente de trabalhadores informais ainda é grande - 37% do mercado de trabalho - e que é preciso investir em tecnologia e qualificação da mão de obra para aumentar a produtividade - estagnada no Brasil:

"Quando a gente olha a produtividade do brasileiro ali estagnada, é muito porque a nossa estrutura produtiva do país, ou seja, as atividades que têm maior crescimento são aquelas que não geram tanta renda. Então, a gente tem desafios estruturais nisso. Ou seja, informalidade elevada também é uma barreira. Então, reduzir esse número de informalidade é muito importante para que a gente não só melhore o número de pessoas trabalhando, mas também cresça na questão da qualidade do mercado de trabalho”.

Fonte: g1