MPF denuncia homem que aliciou brasileiros para trabalho análogo à escravidão na Tailândia por tráfico de pessoas
André Luis Sales Cunha, que está preso desde dezembro do ano passado, aliciava brasileiros com a promessa de emprego como operador de telemarketing, ganhando US$ 1.500. Segundo a investigação, ele recebia entre 500 e mil dólares por vítima recrutada.
O Ministério Público Federal denunciou um homem suspeito de integrar uma organização criminosa internacional por tráfico de pessoas.
André Luis Sales Cunha, que está preso desde dezembro do ano passado, aliciava brasileiros com a promessa de trabalho na Tailândia. Segundo a investigação, ele recebia entre 500 e mil dólares por vítima recrutada e também ostentava, nas redes sociais, fotos de viagens internacionais e passeios.
Doze vítimas do Brasil foram resgatadas na Ásia pelo governo brasileiro, no final do ano passado. Eles eram submetidos a trabalho análogo à escravidão.
A rota do tráfico começa pela internet. André publicava anúncios nas redes sociais oferecendo emprego na Tailândia como operador de telemarketing ou de atendimento ao consumidor. O salário? US$ 1.500, além de moradia, alimentação e a promessa de uma vida luxuosa no país.
As vítimas recebiam passagens aéreas para Bangkok, capital tailandesa, e viajavam com os próprios passaportes. De lá, atravessavam de barco, ilegalmente, para Mianmar, e seguiam para uma espécie de condomínio, que era totalmente vigiado.
A denúncia do MPF diz que as condições no local eram degradantes e que a jornada era de 11 a 14 horas. O valor prometido pelo suposto trabalho não era pago e as vítimas ainda tinham que pagar preços abusivos nos produtos de higiene e alimentação. Se os brasileiros decidissem sair, deveriam pagar US$ 7.500 para cobrir os custos da viagem de ida.
A Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude, que acompanha o caso, diz que as vítimas eram obrigadas a aplicar golpes pela internet e por telefone.
“Eram golpes variados. Desde conhecer a pessoa por meio da rede social e, a partir dali, conquistar confiança para estimular essa pessoa a aplicar dinheiro em criptomoedas, falsos sites, falsa compra de bitcoin, até pirâmides financeiras, doação de dinheiro. Eram vários golpes de modalidade diferentes, sempre com a finalidade de roubar dinheiro dessas pessoas”, conta Graziella Rocha, coordenadora de projetos na Asbrad.
Graziela, que também é membro do Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, faz um alerta: essas ofertas suspeitas de emprego no exterior estão espalhadas pelas redes sociais e as pessoas precisam ter cuidado.
“Desconfie de propostas encantadoras. Dificilmente você vai receber uma proposta de trabalho, por exemplo, para trabalhar em um país que você não domina o idioma. Isso é mentira, é impossível. Ganhando bem, com altos salários, acima do piso. Então, desconfie. Busque informações, que empresa é essa, ela tem um CNPJ? Ministério do Trabalho está aí, o Ministério Público do Trabalho. Você não vai jogar a sua vida em um pedaço de papel falso, por que é isso que era a proposta”.
Fonte: g1
