Passageiro que foi parar no teto de avião após turbulência severa relembra susto: 'Gritos, gemidos, foi assustador'
Conrado, de 67 anos, foi um dos 30 feridos voo que ia da Espanha para o Uruguai essa semana e teve que fazer um pouso de emergência em Natal (RN). O Fantástico também conversou com outros passageiros, como Irene, de 77 anos, que fraturou oito costelas.
Um susto a mais 10 mil metros de altura: essa semana, uma turbulência severa deixou dezenas de pessoas feridas em um voo que ia da Espanha para o Uruguai. O Fantástico ouviu alguns dos passageiros, inclusive o homem que foi parar no teto do avião.
O aposentado Conrado Tomasini, de 67 anos, ficou só com os pés para fora. Estava dormindo quando tudo começou e, nas imagens gravadas após o incidente, aparece já no chão, perto da poltrona, com a camisa toda rasgada.
Repórter: Suas mãos estão feridas?
Conrado: Sim, e fiquei com algumas lesões nas costas também. Acordei batendo em alguma coisa. Quebrei o teto, quebrei canos que passavam lá dentro, tudo com as costas.
Conrado até se machucou pouco, considerando o que aconteceu no voo. Ele já tá em casa, em Montevidéu, mas, volta e meia, lembra de tudo o que passou quando estava dentro do avião.
"Gritos, gemidos, gente deitada. Foi assustador", relembra.
A companhia aérea Air Europa transportava 325 passageiros. O bancário Rafael Perez era outro deles e também falou sobre os momentos tensos vividos na aeronave:
"Pensei que aquele era o último dia da minha vida. Estava despencando em uma velocidade impressionante, e vendo gente voando pelo avião".
Por causa da turbulência severa, 30 pessoas se feriram e nove foram levadas a hospitais de Natal, no Rio Grande do Norte, onde foi feito o pouso de emergência. O casal uruguaio Carlos e Irene conversou com o repórter Kleber Teixeira ainda no quarto onde ela estava internada.
"É como se uma bomba tivesse caído. A primeira coisa que vejo é que minha esposa não estava ao meu lado. Eu a encontrei no chão com outro passageiro também caído", conta o empresário Carlos Fleuerquin.
A enfermeira Irene Amoros Dorda, de 77 anos, fraturou oito costelas e falou do que viveu:
"Quando percebi, eu estava no chão, com coisas em cima: cobertores, gente, tudo. Meu marido me ajudou a levantar e me sentou. As pessoas reclamavam, choravam. Tudo isso foi terrível".
Uso de cintos é importante
Jorge Eduardo Leal Medeiros, piloto, engenheiro aeronáutico e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), explicou que os passageiros que 'voaram' dentro do avião possivelmente estavam sem os cintos de segurança. "Se tivessem com o cinto, dificilmente isso teria acontecido", disse.
O especialista explicou que os aviões possuem uma resistência muito grande para enfrentar as turbulências, mas que é importante que haja uma insistência da tripulação para que os passageiros permaneçam de cinto durante os voos.
"Principalmente quando se atravessa dessa região de Zona Intertropical, que tem mais turbulências, as turbulências de ar claro, que não tem como detectar com o radar", explicou.
Segundo o professor, as turbulências não causam perdas de altitudes relevantes no avião, mas a aeronave sofre mais variações no trecho em questão. Apesar disso, tem estrutura suficiente para passar com segurança.
"O avião vai para cima e para baixo em uma turbulência, não é questão de perda de altitude", disse. "Os aviões aguentam uma turbulência muito grande, mas todos precisam estar preparados", completou.
Influência da Zona de Convergência Intertropical
Segundo o meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), Gilmar Bristot, as turbulências ocorrem como consequências de movimentos do ar, que podem ser ascendentes ou descendentes.
"Nessa época do ano, a Zona de Convergência fica mais ao norte da faixa equatorial e, nessa região, normalmente se tem formação de instabilidades. As instabilidades meteorológicas normalmente causam correntes ascendentes, ou seja, o ar é forçado a subir causando a formação de tempestades", explicou.
Ao redor dessas regiões, no entanto, os movimentos são descendentes, segundo o meteorologista.
"Foi o que aconteceu com essa aeronave: ela foi submetida a uma corrente descendente, fazendo com que o avião perdesse sua sustentabilidade. E tudo o que estava dentro do avião sem estar preso à aeronave foi jogado em um movimento contrário", disse.
"É uma região que realmente nessa época do ano traz muita turbulência para todas as aeronaves que cruzam no sentido Europa, África e América do Sul", completou o meteorologista David Mendes.
Fonte: g1
