Sobe para 94 o número de mortos em incêndio em complexo de arranha-céus em Hong Kong
Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas. Moradores ficaram presos dentro dos prédios residenciais, segundo o corpo de bombeiros, e chamas ainda não foram contidas. Suspeita é de fogo na estrutura do andaime, feita de bambu.
Um incêndio de grandes proporções atingiu diversos arranha-céus de um complexo residencial em Hong Kong na quarta-feira (26) e deixou 94 mortos e dezenas de feridos, segundo as autoridades locais.
O fogo, o mais mortal na cidade em três décadas, continuava sendo combatido nesta quinta-feira (27), elo segundo dia consecutivo. Três pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no incêndio.
Um dia após o início do incêndio, os bombeiros continuavam trabalhando no resgate das vítimas. O complexo que pegou fogo tem oito torres.
A causa do incêndio está sendo investigada, mas as autoridades acreditam que o fogo se espalhou rapidamente por telas de construção verdes e andaimes de bambu que estavam sendo usados em obras de reforma.
A polícia informou que as telas não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio. Três homens da construtora responsáveis pela obra foram presos sob suspeita de homicídio culposo — quando não há a intenção de matar.
"Temos motivos para acreditar que os responsáveis da empresa foram extremamente negligentes, o que levou a este acidente e fez com que o incêndio se alastrasse descontroladamente, resultando em um grande número de vítimas", disse Eileen Chung, superintendente da polícia de Hong Kong.
Um porta-voz dos bombeiros afirmou que havia "muita preocupação" pela temperatura dentro dos prédios, que estava muito alta e dificultava a entrada nos edifícios para realizar trabalhos de resgate.
O incêndio
O Departamento de Bombeiros disse ter recebido o chamado às 3h51 no horário de Brasília (14h51, no horário local) sobre o incêndio. Centenas de agentes foram mobilizados.
Horas após o início do combate às chamas, a pasta elevou o alerta para o nível 5, o mais alto da escala. Outros 400 policiais foram mobilizados, segundo o governo.
O Departamento de Transportes de Hong Kong informou que, devido ao incêndio, uma seção inteira da rodovia Tai Po foi fechada, e linhas de ônibus estão sendo desviadas.
A polícia chegou a isolar dois quarteirões vizinhos ao condomínio de prédios por conta do incêndio, que depois foram liberados.
Hong Kong tem histórico de incêndios graves. O último de grande impacto ocorreu em 1996, quando 41 pessoas morreram após um fogo causado por soldagem durante reformas internas. O episódio levou a mudanças nas regras de construção e segurança contra incêndios em prédios altos.
O uso de andaimes de bambu — tradicional na arquitetura chinesa e ainda comum em Hong Kong — está sendo reduzido após 22 mortes envolvendo trabalhadores entre 2019 e 2024. Pelo menos três incêndios com esse tipo de estrutura foram registrados neste ano, segundo uma associação de vítimas de acidentes industriais.
Fonte: g1
